Artesão utilizando uma calculadora para calcular o custo de venda do artesanato

Quanto Cobrar pelo Seu Artesanato: Fórmula Simples de Preço

Saber quanto cobrar pelo seu artesanato é uma das maiores dificuldades de quem já produz, mas ainda não vende. O medo de cobrar caro demais, de ninguém comprar ou de ouvir que está caro paralisa muitas artesãs antes mesmo da primeira venda.

Na prática, o problema quase nunca é o preço. O problema é não saber como definir esse valor com segurança e clareza.

Neste artigo, vou te mostrar como cobrar pelo artesanato de forma justa, possível e realista, pensando na rotina de quem trabalha em casa, tem pouca experiência em vendas e quer transformar o feito à mão em renda.

Por que definir o preço do artesanato é tão difícil?

Cobrar por algo que você mesma faz envolve emoção. Tem tempo, esforço, carinho e dedicação ali. E quando a gente não enxerga o artesanato como trabalho, acaba tratando o preço como um favor.

Muitas artesãs cobram pouco porque acham que estão começando, porque têm medo de não vender ou porque se comparam com produtos industrializados. Isso gera frustração, cansaço e a sensação de que “não vale a pena”.

Definir preço no artesanato não é ganância. É respeito pelo seu tempo e pela sua habilidade.

Quanto cobrar no artesanato feito à mão?

Não existe um preço único que sirva para todo mundo. Mas existe um caminho correto para chegar a um valor justo.

O preço do artesanato feito à mão precisa considerar três coisas básicas: 

  1. Custo dos materiais, 
  2. Tempo de trabalho 
  3. Valor da sua mão de obra. 

Ignorar qualquer um desses pontos faz você trabalhar muito e ganhar pouco.

Na vida real, vejo muitas artesãs cobrarem apenas o valor do material. Isso não é venda, é prejuízo disfarçado.

Artesão utilizando uma calculadora para calcular o preço do artesanato

Quanto cobrar por peça artesanal sem desvalorizar seu trabalho

Vamos imaginar uma peça simples, feita em casa. Você gastou com tecido, linha, energia elétrica e algumas horas do seu dia. Mesmo que o custo do material seja baixo, seu tempo não é.

Quando você não coloca valor no seu tempo, você ensina o cliente a não valorizar também.

Cobrar pouco não garante venda. Muitas vezes, só atrai pessoas que não valorizam o artesanal e reclamam de preço em qualquer valor. 

Existem pessoas que compram porque enxergam capricho e qualidade na peça e existem pessoas que compram só porque é barato, para quem você quer vender?

Como cobrar pelo artesanato sem medo de não vender

O medo de não vender é real. Mas ele costuma vir da insegurança, não do preço em si.

Quando você sabe explicar como sua peça é feita, quanto tempo leva e para quem ela é ideal, o valor passa a fazer sentido. O cliente não compra só o objeto, ele compra a história, o cuidado e a exclusividade.

Quem procura artesanato sabe que não está comprando algo industrial. E quem só quer preço baixo dificilmente será seu cliente ideal.

Como definir preço no artesanato de forma prática

Definir preço no artesanato não precisa ser complicado. Precisa ser consciente.

Comece anotando tudo o que você gasta para produzir uma peça, mesmo coisas pequenas. Depois, pense em quanto vale uma hora do seu trabalho. Não precisa ser alto no início, mas precisa existir.

Aos poucos, você ajusta. Preço não é algo fixo para sempre. Ele evolui junto com sua experiência, acabamento e posicionamento.

Fórmula simples para definir o preço do artesanato

A ideia é responder três perguntas básicas:

  • Quanto você gastou?
  • Quanto tempo levou?
  • Quanto você precisa ganhar?

Fórmula prática

Preço do artesanato = Material + (Horas × Valor da hora) + Custos invisíveis + Lucro

Agora vou explicar cada parte com um exemplo real.


1 Passo – Material

Some tudo o que você usou para fazer a peça.

Tecido, linha, enchimento, botão, zíper, etiqueta. Aqui também entra embalagem, sacola, e se você leva até o cliente, considere o combustível.

Exemplo:

Material total da peça: R$ 25,00


2 Passo – Horas de trabalho

Veja quanto tempo você levou para produzir a peça do início ao fim.

Aqui entram:

  • cortar
  • costurar
  • montar
  • finalizar
  • embalar

Considerando todo o processo, se você levou 2 horas, anote 2 horas.


3 Passo – Valor da sua hora (simples e realista)

Se você está começando, não precisa colocar um valor alto.

Uma forma simples é pensar:

“Quanto eu gostaria de ganhar por hora trabalhando em casa?”

Muitas artesãs começam entre R$ 10 e R$ 20 por hora, dependendo da realidade.

Exemplo:

R$ 10 o valor da hora

2 horas × R$ 10 = R$ 20,00


4 Passo – Custos invisíveis (obrigatórios)

Aqui entram:

  • energia elétrica
  • desgaste da máquina
  • manutenção
  • internet
  • taxas (quando vende online)

Uma forma simples é usar 10% a 20% sobre material + horas de trabalho.

Exemplo:

Material = 25

Valor da hora = 20

Subtotal = 25 + 20 = 45

Ou seja, somando o custo do material mais as horas de trabalho, encontramos o valor de R$ 45,00. 

Vou considerar os custos invisíveis 15% de 45.
Custos invisíveis (15% de 45) = R$ 6,75


5 Passo – Lucro (onde muita gente erra)

Para quem está começando, um lucro saudável costuma ficar entre 20% e 40% sobre o custo total.

Exemplo:

Custo total até aqui: material + valor da hora + custos invisíveis:

25 + 20 + 6,75 = R$ 51,75

Lucro (30% de R$ 51,75) = R$ 15,52


6 Passo – Preço final com lucro

Exemplo:

Material + valor da hora + custos invisíveis + lucro:

51,75 + 15,52

Valor de venda: R$ 67,27 ou R$ 68,00 arredondado


Artesão utilizando uma calculadora e anotando no papel o valor dos materiais do artesanato

“Meu artesanato está caro?” essa dúvida é comum

Essa pergunta aparece muito. E, na maioria das vezes, a resposta é não.

O que costuma acontecer é que a artesã se compara com produtos industrializados ou com quem cobra barato demais. Isso distorce a percepção.

Se você vende algo feito à mão, sob encomenda, com cuidado e acabamento, seu preço não pode ser comparado com produção em massa.

Quando você aprende quanto cobrar pelo seu artesanato e se posiciona com mais segurança, as vendas começam a fazer mais sentido. Você trabalha menos no prejuízo e mais com propósito.

O artesanato pode, sim, ser uma fonte de renda, desde que seja tratado como trabalho e não apenas como passatempo.

Erros comuns na precificação do artesanato

Um erro frequente é copiar o preço de outra artesã sem considerar sua realidade. Outro é baixar o preço sempre que alguém reclama.

Essas atitudes minam a confiança e tornam o negócio insustentável.

Preço justo não afasta cliente certo. Afasta cliente errado.

Nem toda venda vale a pena. Quando o cliente quer pagar menos do que o justo, muitas vezes é melhor recusar do que se desgastar.

Aprender como cobrar pelo artesanato também envolve maturidade e posicionamento. Isso vem com o tempo, mas começa com informação.

Conclusão: cobrar corretamente muda tudo

Saber quanto cobrar pelo seu artesanato é um divisor de águas. Muda sua relação com o trabalho, com o cliente e com você mesma.

Você não precisa acertar de primeira. Precisa começar consciente, ajustando aos poucos e aprendendo no caminho.

Aqui no blog, você encontra outros conteúdos pensados para quem trabalha em casa, faz artesanato e quer vender com mais segurança, sem promessas falsas e sem complicação.

Leia outros artigos, continue aprendendo e volte sempre que precisar. Valorizar seu artesanato começa por você.

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